A insônia é uma das queixas mais frequentes nos consultórios de geriatria. Com o passar dos anos, a arquitetura do nosso sono muda naturalmente: o idoso tende a ter um sono mais fragmentado, dormir mais cedo e acordar de madrugada. O grande problema surge quando a família, na tentativa de ajudar, recorre ao uso indiscriminado de "remédios para dormir" (sedativos e hipnóticos).
Medicamentos de tarja preta ou indutores de sono potentes são frequentemente prescritos sem um plano de retirada. No organismo envelhecido, que metaboliza substâncias de forma mais lenta, esses remédios se tornam extremamente perigosos. Eles causam confusão mental, sonolência excessiva durante o dia e relaxamento muscular, formando a receita perfeita para o maior inimigo do idoso: a queda de madrugada.
Na geriatria de excelência, nós priorizamos a segurança neurológica. Antes de prescrever um sedativo, o papel do geriatra é investigar a raiz da insônia. Pode ser uma dor crônica não tratada, idas frequentes ao banheiro por questões urológicas, uso de telas (celular e TV) até tarde da noite ou até mesmo o excesso de cochilos durante o dia.
O tratamento mais duradouro e seguro começa pela "Higiene do Sono" e, quando necessário, pela desprescrição gradual de remédios perigosos, substituindo-os por opções mais seguras ou suplementações naturais que respeitem o ciclo circadiano do paciente.
Uma noite mal dormida afeta o humor, a memória e a imunidade. Se o seu familiar idoso não consegue dormir ou está dependente de medicações fortes, agende uma avaliação. É possível recuperar noites tranquilas com segurança.
Dra. Luciana Leite
Clínica Médica • Geriatria • Medicina Paliativa
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