Dra. Luciana Leite

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O perigo da "sacolinha de remédios": os riscos do excesso de medicamentos | Dra. Luciana Leite

O perigo da "sacolinha de remédios": os riscos do excesso de medicamentos na terceira idade

Existe uma cena que se repete quase que semanalmente no meu consultório. A porta se abre, o paciente idoso entra acompanhado de seu filho ou filha e, ao se sentarem, colocam sobre a minha mesa uma sacola de farmácia ou uma necessaire estufada. De dentro dela, saem caixinhas, frascos, cartelas e receitas de diferentes cores e datas.

Quando fazemos a contagem, não é raro descobrirmos que aquele paciente está ingerindo 8, 10 ou até 15 comprimidos diferentes todos os dias. Na medicina, damos a isso o nome de Polifarmácia. Na vida real da sua família, eu chamo isso de um perigo silencioso.

Como geriatra, com mais de 20 anos acompanhando o envelhecimento, sinto que é meu dever alertar: o excesso de medicamentos pode ser tão perigoso quanto a própria doença que ele tenta tratar.

Como a receita médica virou uma bola de neve?

A polifarmácia raramente acontece por má intenção. Ela é o resultado direto da medicina fragmentada que vivemos hoje.

Com o passar dos anos, é comum que o paciente comece a ser acompanhado por diversos especialistas. O cardiologista prescreve para a pressão; o reumatologista, para a dor no joelho; o neurologista, para a memória; o gastroenterologista, para a digestão. Adicione a isso a vitamina recomendada pelo vizinho e o calmante natural que a filha comprou na farmácia.

O grande problema é que esses médicos, muitas vezes, não conversam entre si. E o corpo do idoso não é uma máquina dividida em gavetas independentes; ele é um sistema único e extremamente sensível.

A perigosa "Cascata da Prescrição"

Quando não há um médico "maestro" para olhar o paciente como um todo, a família costuma ser vítima da chamada cascata da prescrição. Funciona mais ou menos assim:

O paciente toma um anti-inflamatório para a dor na coluna. Esse remédio irrita o estômago. Em vez de suspender o anti-inflamatório, prescreve-se um protetor gástrico. O protetor gástrico, a longo prazo, diminui a absorção de vitaminas e causa tontura. Para a tontura, prescreve-se um remédio para labirintite. O remédio para labirintite dá muito sono durante o dia e deixa o idoso confuso. E, de repente, a família acha que o pai está com Alzheimer.

Percebe a gravidade? Muitas vezes, o que a família interpreta como "sinais normais da idade" – como quedas frequentes, confusão mental, sonolência excessiva, boca seca ou perda de apetite – são, na verdade, efeitos colaterais das interações entre dezenas de remédios disputando espaço no fígado e nos rins, que já não metabolizam as substâncias com a mesma velocidade da juventude.

A arte médica de "Desprescrever"

Acredito firmemente que prescrever um medicamento é fácil; a verdadeira arte da geriatria está em desprescrever.

Uma das etapas mais importantes da minha consulta é a revisão medicamentosa. Meu trabalho é olhar para aquela "sacolinha de remédios" com uma lupa científica e questionar o papel de cada pílula.

  • Esse remédio ainda é necessário ou foi prescrito há 5 anos para um problema que já se resolveu?
  • A dose está adequada para o peso e a função renal atual do paciente?
  • Esse suplemento está cortando o efeito do remédio do coração?

Meu objetivo é "limpar" a receita do seu familiar, mantendo estritamente o que traz qualidade de vida, controle de doenças crônicas e conforto. Menos remédios significam menos efeitos colaterais, menos risco de quedas, economia financeira para a família e, acima de tudo, mais segurança e clareza mental para o idoso.

Um convite à organização e segurança

Se o seu pai, sua mãe ou avô toma múltiplos medicamentos e você sente insegurança ao administrar tantas caixinhas diariamente, não tente suspender nenhuma medicação por conta própria. O "desmame" de remédios exige rigor médico e acompanhamento contínuo.

Faço a você um convite: na nossa primeira consulta, traga todos os medicamentos, receitas e exames recentes. Vamos colocar tudo sobre a mesa. Com tempo, escuta ativa e muito critério técnico, organizaremos a rotina de saúde da sua família para que ela seja sinônimo de vida, e não de preocupação.

Para orientações personalizadas sobre o seu caso ou de um familiar idoso, agende uma consulta com a Dra. Luciana Leite — médica geriatra em Fortaleza, CE.

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